1. O acento existe originalmente na palavra Yôga?

  2. Qual é o gênero da palavra Yôga?

  3. O Yôga e "a yóga" são coisas diferentes?

  4. O Yôga tem algo a ver com religião?

  5. Se o Yôga não tem misticismo, de onde vem todo aquele espiritualismo e conceitos reencarnacionistas?

  6. O Yôga é uma espécie de ginástica?

  7. O Yôga é terapia?

  8. Para que serve o Yôga?

  9. O Yôga não é um exercício suave, muito parado? Uma espécie de relaxamento?

  10. A alimentação preconizada pelo Yôga é a natural ou a macrobiótica?

  11. E com relação às drogas?

  12. Quem pode lecionar o Yôga?

 

1. O acento existe originalmente na palavra Yôga?

O acento está claramente indicado, uma vez que a letra ô no sânscrito é sempre longa e fechada. As transliterações ocidentais convencionaram que as letras longas devem ser assinaladas com o acento. Este pode variar de uma convenção para outra, mas o que se observa é que o circunflexo foi adotado por um renomado autor indiano que escreveu Os aforismos do Yôga de Pátañjali, em inglês (Sri Purohit Swami), e também pelo célebre autor (Kastberger), que escreveu o Léxico de filosofia hindu, em castelhano. Ora, nenhuma das duas línguas possui o circunflexo e, apesar disso, ambos reconheceram a necessidade da sua presença na palavra Yôga.

Durante muitos anos não se aplicou o acento uma vez que ninguém ousou questionar isso. Primeiro, quem colonizou a Índia foram os britânicos que não tinham acentos em suas tipografias, mas possuíam uma poderosa Armada, intelectualmente muito persuasiva... Segundo, no Ocidente conhecia-se bem pouco o sânscrito (na Índia eles não ligam a mínima se a transliteração para alfabetos ocidentais está correta ou não). Terceiro, há muito patrulhamento ideológico em determinados grupos de Yôga, e ninguém queria se expor a críticas, ainda que chegasse a estas mesmas conclusões.

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2. Qual é o gênero da palavra Yôga?

Masculino. Quase todas as palavras sânscritas terminadas em a são masculinas. Isto deveria valer para a corruptela "ioga", pois a regra da nossa língua para esses casos é preservar o gênero das palavras que forem incorporadas ao português.

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3. O Yôga e "a yóga" são coisas diferentes?

Sim, totalmente diferentes. São confundidas pelo leigo devido às semelhanças de escrita e pronúncia, como ocorre com Aikidô e Hapkidô, História e estória, balonista e baloeiro, canapé e canapê, esotérico e exotérico.

Há diferenças marcantes na época de surgimento, país de origem, proposta, metodologia e tipo de público.

"A yóga" (também grafada yoga ou ioga, pronunciada com ó aberto) é uma coisa parada e requer paciência; o Yôga (escrito sempre com acento circunflexo, com Y, pronunciado com ô fechado e no gênero masculino) é uma técnica dinâmica e lindíssima. "A yóga" é quase sempre mística; já o Yôga não admite misticismo. "A yóga" é recomendável para idosos; no entanto, o Yôga é para gente jovem. "A yóga" freqüentemente é ensinada por pessoas sem preparo nem habilitação; em compensação, o Yôga só é ministrado por instrutores formados nos cursos de extensão das Universidades Federais, Estaduais e Católicas de quase todo o país. "A yóga" surgiu na década de 60 aqui mesmo no Brasil; o Yôga surgiu na Índia há mais de 5.000 anos. "A yóga" está dicionarizada e pode ser grafada com i; o Yôga não está dicionarizado, portanto, deve-se respeitar a grafia original, a pronúncia com ô fechado, o gênero masculino e o acento que está lá na escrita em caracteres dêvanágarí.

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4. O Yôga tem algo a ver com religião?

Uma das demonstrações cabais de que Yôga não interfere com a religião é o fato de que as Universidades Católicas do Brasil formam instrutores de SwáSthya Yôga, desde a década de 70. Tenho o privilégio de ter sido o introdutor desse curso e de ser seu ministrante desde então, em quase todas as Universidades Católicas, desde o Rio Grande do Sul até o Norte/Nordeste.

Em termos teológicos o que caracteriza a religião é o dogma de fé. Não tendo dogmas, não pode ser religião. O Yôga não os tem.

Além disso, o Yôga Clássico tem bases Sámkhyas. O Sámkhya é uma corrente naturalista e que, em algumas fases históricas, chegou a ser qualificada de materialista e ateísta! Então, o Yôga autêntico não pode sequer alimentar misticismo. Consulte documentação no capítulo Bibliografia discriminada.

Pessoas de todas as religiões praticam Yôga, inclusive padres e freiras católicos, pastores protestantes, judeus, budistas e xintoístas.

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5. Se o Yôga não tem misticismo, de onde vem todo aquele espiritualismo e conceitos reencarnacionistas?

O Yôga não aplica tais conceitos. O reencarnacionismo e o espiritualismo pertencem a uma outra filosofia indiana chamada Vêdánta. Várias outras correntes de pensamento indianas também adotam tais conceitos, mas não o Yôga pelo fato de este não possuir teoria especulativa. O Yôga é estritamente técnico. Fique atento: quando alguém se propuser a falar sobre Yôga, mas abordar temas teórico-especulativos ou doutrinários, poderá estar ocorrendo má-fé.

As pessoas confundem Vêdánta com Yôga por falta de informação. Esta confusão é encontrada em muitos livros de Yôga, especialmente quando o autor for adepto do Vêdánta.

Na verdade, o Yôga não tem nem afinidade de origem com o Vêdánta. O Yôga Antigo, tanto o Pré-Clássico quanto o Clássico, era de linha Sámkhya. Ora, Sámkhya e Vêdánta são filosoficamente opostos entre si, já que o primeiro é naturalista e o segundo, espiritualista. Naturalista é a filosofia que atribui causas naturais a todos os efeitos. Espiritualista é a que atribui causas sobrenaturais.

A afinidade de origem do Yôga com o Sámkhya (e não com o seu oposto, o Vêdánta) encontra respaldo em toda a literatura sobre o assunto.

O próprio Bhagavad Gita, que não é literatura de Yôga nem de Sámkhya, associa o Yôga com o Sámkhya, e não com o Vêdánta, ao declarar: "Yôga é poder. Sámkhya, conhecimento. Quem possui Yôga e Sámkhya, nada mais tem a conquistar." Até o dicionário Aurélio concorda: "Yôga é a prática da filosofia Sámkhya." Excelente definição!

Yôga e Sámkhya, juntos, são denominados sanátane dwe, que significa "as duas mais antigas" ou "as duas eternas".

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6. O Yôga é uma espécie de ginástica?

Não. O Yôga não é nenhum tipo de ginástica nem modalidade alguma de Educação Física. Uma prática completa de Yôga compreende técnicas corporais, bioenergéticas, emocionais, mentais, etc., através de exercícios orgânicos, respiratórios, relaxamentos, limpeza de órgãos internos, vocalizações, concentração, meditação. Ora, isso não pertence à área de Educação Física. Mesmo os exercícios físicos do Yôga não são puramente físicos e são completamente diferentes dos da ginástica. Até as regras e os princípios são totalmente diversos. Vejamos alguns exemplos:

1) Movimento

-  Na Educação Física o movimento e a repetição são elementos fundamentais. A boa forma, os efeitos e o bom rendimento dependem da repetição adequada.

-  No Yôga, mais do que o movimento, o que importa é a permanência na fase crítica do exercício e, mais do que a repetição do mesmo exercício, importa a diversificação das técnicas, ainda que possam ser convergentes com relação aos efeitos proporcionados.

2) Aquecimento

-  Na Educação Física é imprescindível um bom aquecimento muscular prévio para evitar distensões.

-  No Yôga não se faz aquecimento prévio, mesmo que esteja muito frio. Apesar disso, no Yôga não se observam distensões. O fenômeno explica-se, em parte, pela ampla consciência corporal desenvolvida pelo praticante, que passa a conhecer perfeitamente seus limites e sabe que não deve excedê-los e, em parte, pela sofisticada tecnologia desenvolvida empiricamente durante cinco mil anos de experiência.

Ocorre que, quando as fibras musculares são aquecidas, dilatam-se, dando a falsa impressão de maior flexibilidade, mas depois voltam a se contrair pelo esfriamento no final do exercício. No SwáSthya Yôga não utilizamos aquecimento, o que faz com que as fibras musculares desenvolvam um alongamento real, definitivo, mesmo quando o corpo estiver frio.

Isso também fundamenta fisiologicamente o fato comprovado de que a performance conquistada pelo praticante de Yôga incorpora-se definitivamente ao seu patrimônio corporal e ele, mesmo parando de seguir um programa regular de exercícios, não perde a boa forma durante meses ou anos, dependendo do nível de adiantamento obtido na fase de treinamento intensivo.

Assim, quando um praticante de Yôga é surpreendido por um incidente físico contará com músculos muito bem condicionados a reagir sem a necessidade de aquecimento prévio. Como um gato, fica instantaneamente em condições de enfrentar o desafio. Depois, volta rapidamente à calma.

3) Áreas Atingidas

-  A Educação Física atinge prioritariamente músculos e articulações. Depois, o sistema cardiovascular. Só secundariamente o resto do organismo. A mente não é trabalhada e limita-se a receber o benefício da higiene mental, o "mens sana in corpore sano". Mas não há exercícios mentais nessa especialidade que se propõe, e proporciona com sucesso, uma educação física.

-  No Yôga é exatamente o inverso. Os efeitos começam se processando nas áreas mais profundas e afloram até chegar ao corpo. Nele, manifestam-se inicialmente nos sistemas nervoso e endócrino. Depois, nos órgãos internos. Só por último os benefícios chegam aos músculos e articulações.

Agora raciocinemos: se os músculos e articulações são as partes menos trabalhadas no Yôga e, apesar disso, adquirimos uma performance muscular e articular excepcional, imagine os efeitos obtidos nas áreas mais profundas!

4) Respiração

-  Na Educação Física dá-se uma razoável importância à respiração, porém não há uma tecnologia respiratória específica. Basta fazer respirações profundas. Permite-se respirar pela boca. Tradicionalmente (ainda hoje) é comum que o treinador mande o desportista encher de ar a parte alta do tórax em detrimento da região diafragmática, que é a mais importante pela quantidade maior de ar que comporta.

-  No Yôga, uma das primeiras coisas é reaprender a respirar. Respirar sempre pelas narinas, fora os casos excepcionais. Fazemos treinamento para dominar eletivamente os músculos respiratórios abdominais numa circunstância, intercostais noutra, sub-claviculares noutra e assim por diante. Controlamos diferentes ritmos para distintos objetivos, e acoplamos a determinados exercícios respiratórios a contração deste ou daquele plexo ou glândula endócrina, a fim de dinamizar a força do exercício.

Utilizamos 46 exercícios respiratórios diferentes e mais alguns que não podem sequer ser ensinados por livros, tal o poder que possuem e sua capacidade de despertar paranormalidades.

5) Gasto de energia

-  Na Educação Física tudo produz consumo de energia, sem o quê, os efeitos não se processam.

-  No Yôga, em sete oitavos da prática (sete em oito tipos de técnicas) o dispêndio de energia é próximo de zero. Em todos os oito feixes de técnicas capta-se, gera-se, canaliza-se ou armazena-se energia solar, telúrica e pránica de diversos tipos, das mais variadas fontes limpas e inesgotáveis.

Por isso os exercícios de Yôga são agradáveis e não cansam. Mesmo sem esforço os efeitos ocorrem  com intensidade, desde o primeiro dia.

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7. O Yôga é terapia?

Não. Afirmar que o Yôga é terapia é o mesmo que declarar que natação ou tênis são terapia. Algumas pessoas podem praticar tênis como "uma verdadeira terapia" ou natação para asma, mas isso não pode desvirtuar sua verdadeira natureza, que é a de esporte.

Da mesma forma há quem explore a yôgaterapia, que não é Yôga e sim um sistema medicinal inspirado no Yôga. Esse fato não deve desfigurar a identidade do Yôga, que é sabidamente uma filosofia.

Para uma pessoa saudável, o Yôga aprimora sua saúde de tal forma que constitui uma excepcional profilaxia, eliminando enfermidades futuras, antes mesmo que se manifestem. Para um praticante que passe por um problema de saúde temporário, o Yôga tem a propriedade de reduzir verticalmente a intensidade do mal passageiro e restituir a saúde do yôgin muito rapidamente. No entanto, não se deve procurar o Yôga só quando se está precisando. Daí a campanha que lancei em 1970: Faça Yôga antes que você precise.

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8. Para que serve o Yôga?

Essa pergunta faz tanto sentido quanto esta outra: para que serve a dança? Ou, para que serve jogar golfe? Ou, ainda, para que serve tocar piano ou pintar um quadro?

Não se deve pensar no Yôga em termos de "toma lá, dá cá". Não devemos ir ao Yôga em busca de benefícios (nem físicos, nem - muito menos - espirituais!). Devemos ir ao Yôga se já há algo dentro de nós que nos impele a ele tal como impele o artista a pintar.

Freqüentemente confundem-se os meios com o fim. O fim, ou meta, em qualquer tipo de Yôga, é o autoconhecimento proporcionado pelo samádhi. Mas como via para atingir esse estado de hiperconsciência, de megalucidez, o SwáSthya Yôga proporciona uma gama de efeitos preliminares que servirão de reforço da estrutura biológica, incrementando a vitalidade, a saúde, a energia e a longevidade para que o yôgin consiga atingir a meta.

Tais benefícios corporais (musculares, articulares, circulatórios, neurológicos, endócrinos) não passam de efeitos colaterais, simples conseqüências secundárias, meras migalhas que caem da mesa principal. Quem se dedica ao SwáSthya Yôga em função dos seus efeitos é como se tivesse sido convidado para uma festa maravilhosa, com gente lindíssima e, ao invés de ir ao epicentro da recepção, tivesse ficado na cozinha, faturando os salgadinhos, e achando que estava sendo muito esperto por levar essa "vantagem".

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9. O Yôga não é um exercício suave, muito parado? Uma espécie de relaxamento?

O verdadeiro Yôga não é uma espécie de relaxamento. Ganhou a fama de suave por ser biológico, não cansar e não agredir músculos, ligamentos ou vértebras. Mas não é suave no sentido de um exercíciozinho-água-com-açúcar. Desportistas em plena forma costumam ficar de queixo caído com a complexidade técnica dos exercícios de SwáSthya Yôga e é comum confessarem-se incapazes de executá-los. O atleta encontra inicialmente tanta dificuldade ou tanta facilidade quanto um executivo sedentário.

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10. A alimentação preconizada pelo Yôga é a natural ou a macrobiótica?

Nenhuma das duas. O Yôga recomenda o vegetarianismo como seu sistema alimentar. Deve-se, contudo, evitar a rotulagem já que as pessoas menos cultas pensam que vegetariano só ingere salada (isso é o que vegetariano menos aprecia!). Ou que vegetariano come carnes... brancas!

Como o vegetarianismo autêntico quase não tem diferença da alimentação comum, a não ser pela ausência de bichos mortos, sugerimos que o interessado em seguir tal experiência não se rotule. Em qualquer restaurante, pizzaria ou até mesmo churrascaria, simplesmente peça o que desejar. Jamais, mas jamais mesmo, pronuncie a palavra mágica "vegetariano". É como se, ao pronunciá-la, você estivesse convidando os presentes a debater ou gracejar.

Se alguém tentar discutir alimentação com um vegetariano, ainda que cordialmente, a atitude correta é dar um corte no assunto, com toda a gentileza. Não queremos doutrinar ninguém. Mas também não admitimos invasão da nossa privacidade. Cada qual que coma o que bem entender.

E nada de embaralhar com outros sistemas. Constitui gafe imperdoável convidar um praticante de Yôga para uma refeição macrobiótica: ela é nada menos que a corrente alimentar mais agressivamente oposta ao sistema nutricional do Yôga.

Para maiores esclarecimentos, leia o capítulo Alimentação Vegetariana: chega de abobrinha! no livro Faça Yôga antes que você precise.

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11. E com relação às drogas?

Nesse particular o Yôga é bem categórico. Yôga e drogas definitivamente não combinam.

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12. Quem pode lecionar o Yôga?

Legalmente e moralmente só pode lecionar o Yôga quem tiver sido aprovado no Curso de Formação de Instrutores e cujo certificado esteja com a revalidação anual atualizada.

A menos que seja um dos raros veteranos possuidores da Carteira de Instrutor de Yôga, expedida na década de 60 pela extinta Secretaria de Educação do Estado da Guanabara. Mas desses, pelas nossas pesquisas, deve haver apenas um vivo e na ativa.

Hoje, o único certificado que tem validade perante o Conselho Nacional de Yôga é o documento unificado expedido conjuntamente pela União Internacional de Yôga, Confederação Nacional de Yôga e Primeira Universidade de Yôga do Brasil em convênio com uma Universidade Federal, Estadual ou Católica. Além da validade jurídica, esse certificado tem a vantagem de exigir um exame de revalidação que precisa ser prestado todos os anos. Isso preserva a atualização e a excelência técnica do instrutor.

Se o instrutor possuir esse tipo de certificado orgulhar-se-á por havê-lo conquistado e o afixará em local bem visível no seu local de trabalho. Não havendo o certificado, não é instrutor formado, é "ensinante leigo". Confiar a ele sua saúde, sua coluna, sua cabeça, seria equivalente a operar-se com um neurocirurgião que diga que não é necessário ser médico para exercer sua profissão.

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